março 30, 2008

o deus das moscas*

"- Reuniões. Como gostamos de fazer reuniões! Todos os dias. Duas vezes por dia. Falamos - apoiou-se num cotovelo. - Aposto que se tocasse agora o búzio, vinham logo a correr. Então ficávamos todos muito sério, muito compenetrados e solenes, e alguém diria que deveríamos construir um avião a jacto, ou um submarino, ou um aparelho de televisão. Assim que a reunião termina, põem-se ao trabalho durante cinco minutos e depois... Ala! Cirandam por aí ou vão à caça."

William Golding

*ou o estado da nação

yeah baby it's time to run



Once I - Rita RedShoes

março 29, 2008

Portishead II




Numa palavra: Catarse.



Não tenho capacidade. Não tenho talento. Tão pouco tenho a arte e o enlevo de (d)escrever... os arrepios, a invasão, a pertença, a comunhão, o sentimento, as lembranças, a saudade, o obscurantismo, a entrega, o amor... Portishead...

E mesmo que respirasse todos esses atributos, perderia algo em mim se revelasse a comoção, o desespero alegre... Existem de facto momentos que não se partilham, sentem-se.

Poderia tecer os mais rasgados elogios, fazer críticas musicais, falar da voz e sensibilidade da Beth, mas sou apenas: demasiadamente suspeita...

Dizer:

Mysterons, Sour Times, Only You, Glory Box, talvez chegue!



Obrigada pela companhia. Quem foi, sabe. 3ª fila à esquerda*




Portishead . [Mysterons]
Coliseu de Lisboa, 27.03.08


Surpresas do mp3

Som perfeito que traduz a loucura da hora de ponta de Lisboa no metro... quem chega primeiro à carruagem?

março 26, 2008

This is the soundtrack of my life

Portishead um pouco depois da Páscoa quase sabe a Ressureição. Remissão dos pecados? Não sei...

Foram tantas as vivências que colei ao som desta banda que já não encontro todas as razão pelas quais vou ao concerto.

Ainda não ouvi o terceiro álbum todo mas tal como os outros (a meu ver) custa um pouco a entranhar. Mas o difícil quando é compreendido, inunda-nos de luz... ainda que dolorosa por vezes. Mas agora tudo é diferente. Amanhã vai ser uma confirmação de fé, daquilo que acredito.







Live in NYC - [Glory Box]



Third - [Machine Gun]

Amanhã quero (re)viver





P.S. Long live Trip-Hop.. próximo post vai ser sobre Portishead outra vez.

If it's good to complicate then both of us are doing fine*




incubus - diamonds and coal

*ou Love isn't perfect, even diamonds start as coal.

a minha humanidade mantenho-a sempre que possível intacta*

"Repito o que lhe disse: quando se perde humanidade, não vale a pena ser filósofo; se viesse um deus à terra, embora o papel coubesse melhor a um demónio, e lhe trouxesse a verdade, mas com o encargo de lhe levar em troca o amor dos homens, não deveria haver em si outra atitude que não fosse a de recusa. Quando nos gelamos a ponto de não entendermos os outros, de nos afastarmos deles porque os julgamos, ou realmente são menos inteligentes ou menos cultos, ou, se quer noutro plano, menos honestos, a filosofia só prejudica, só agrava a recusa, essa dolorosa separação entre o que vale e o que não vale. Você, pelo que me parece, tem certos germes de afastamento: há, por vezes, no meio de todas as suas afabilidades, um certo tom superior, uma distância, uma reserva, que não vem de você ser interormente muito rico e se querer preservar; vem de um falso sentimento aristocrático, de uma vaidade que é tudo quanto você quiser menos filosófica e de um gosto de inteligência a que não une uma forte afectividade."


Sete Cartas a Um Jovem Filósofo (VI) - Agostinho da Silva


*um dia quero ser grande como este Senhor!

março 23, 2008

Há dias...


Que parece vou... morrer de tanto amor.



Não é pelo que sinto, é pelo que tu és!

março 22, 2008

O de sempre

Eu já não sei o que inventar para não estudar/trabalhar... o que quer que esteja relacionado com a vida estudantil, neste momento, causa-me espamos cerebrais.

Enfim, ando fascinada (para variar) com o Dolce Fare Niente em Lagos, ainda mais em época de férias, onde encontras o Zé, o Manel e a Chica que está em Erasmus, com as putas e o vinho verde. Só cá estou desde Quinta-feira, preciso da minha social life made in Lagos. E sabe tão bem ouvir os clichés genuínos: "Há tanto tempo que não te vejo"; "Andas desaparecida, o que é que tens feito?" e ainda aqueles "Adoro-te" "Tenho saudades tuas" dos amigos bêbados que se arrastam ao som da música manhosa que vai passando, e que te abraçam, mimam e pagam bebidas. :)

Ainda ontem fiz um auto-contrato: ia apenas ao café para dar fitas de curso ao meu pessoal e voltava rapidamente para o doce lar... Resumo: esqueci-me das fitas e cheguei a casa ás 6 da manhã e a mummy já estava acordada.

E a chatice é que, como estou em casa com a família nem tenho a desculpa das tarefas domésticas para não ter de ler artigos científicos. Epá, quero lavar a casa de banho!!!!

Este post, para ser sincera, nem nasce de uma grande necessidade de escrever ou comunicar alguma intenção, estou mais uma vez a evitar o inevitável trabalho do qual me vou esquivando, a minha, apesar de tudo, amada monografia...

A sério que a amo, é interessante e tudo o mais, mas isto de ler e escrever coisas obrigada com datas definidas nunca foi muito do meu agrado... Sempre achei que só nos devemos dedicar a quem amamos quando a isso estamos predispostos.

Hoje não faço auto-contratos... e não me convidem para cafés.




P.S. Falta menos de uma semana para Portishead... uahahahaha

março 21, 2008

Novo HIT


Depois do... "Porqué no te callas?"


Vamos levar com o...


"Dá-me o telemóvel (inspiração) jáaaaaaaa" (gritar sff).


E depois dizem que em Portugal as pessoas não lutam por aquilo que querem...

março 16, 2008

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.



[Mário Quintana]


Dava tudo para saber escrever...

a todos os anónimos deste blog

a propósito do post de dia 11 de março de 2008...

fiquei intrigado com os comentários que fizeste, ou fizeram porque continuo sem conseguir perceber se é a mesma pessoa ou não.

digamos que o primeiro comment deixou-me a pensar que poderia ser uma pessoa, o segundo alargou essa possibilidade para duas novas pessoas eliminando a primeira.

comentem sim, muitos comentários; mas identifiquem-se pf ,)

março 15, 2008

Sindicatos....

Obrigado/a pelas greves à Sexta... Faço um apelo para a desistência desta prerrogativa quando eu for trabalhadora... porque eu não vou trabalhar para o estado...

março 13, 2008

Brainstorming das aulas de Sociologia da Saúde


Com o aumento da esperança média de vida e o avanço científico da medicina, as doenças com maior prevalência são as doenças degenerativas (D.D.), isto é, aquelas em que o estilo de vida influenciam em larga escala a saúde. É por isso que nos maços de tabaco aparece: "Fumar Mata" (...) Antigamente é que era bom, os homens fartavam-se de fumar, mas antes de terem doenças respiratórias ou cancro do pulmão (D.D.) morriam de uma doença infecto-contagiosa...
Segundo o Eduardo Barroso a única doença com prognóstico mortal é... o Nascimento. É mais do que certo que depois de nascer o nosso futuro seja morrer, que eu saiba nunca ninguém se lembrou de colocar à porta da Maternidade: "Nascer Mata"...

...


Há cada vez mais a tendência para medicamentar as pessoas, oferecer tratamentos para «doenças» que outrora não eram consideradas doenças mas estados da vida.

Antigamente, quem acreditava piamente na ressurreição, à mínima dor de dentes suicidava-se... pra quê sofrer? Ia poder sempre começar de novo... É o chamado reset...

O mestre



hmmm... e os masoquistas?

março 12, 2008

living memories*

escondo-me. retraiu-me e impeço-me de sentir. não sinto mais. já não consigo sentir. sou refém da tua recordação. e ela prende-me a ti tornando-me incapaz de me soltar. incapaz de amar. as memórias magoam. quanto mais felizes são maior é a ferida que reabrem em mim. impedem-na de se fechar. são demasiadas. e eu não consigo desprender-me delas. e elas não deixam que eu me separe, que as expulse de mim. não o permitem. penso em todos os momentos bons que já não o são. é uma felicidade insuportável. para mim. pelo menos para mim. chamo pela amnésia. grito por ela. imploro-lhe que venha até mim. que me conceda a graça de esquecer. que cesse a dor. ou que pelo menos a acalme.



amnésia


do Gr. amnesía, esquecimento

s. f.,
perda total ou parcial da memória.




* ou o desejo incontrolável de esquecer.

how do you keep love alive*



* What, what are the words they use when they know it's over.

março 08, 2008

hagia sophia


"[...] olhando em volta para aqueles estranhos como se lhe agradassem, mas também como se pensasse que os percebia bem de mais. Para mim, a cena era deliciosa, mas também sentia uma certa desconfiança, o que era uma sensação nova para mi, que datava apenas da semana anterior e que ultimamente me acompanhava em qualquer lugar público. Era uma procura no meio da multidão, um olhar por cima do ombro, o impulso de sondar os rostos à procura de boas ou más intenções - e talvez também a impressão de estar a ser observado. Era uma sensação desagradável, uma nota dissonante na harmonia de todas aquelas conversas animadas à nossa volta [...]".

o historiador - elizabeth kostova

Dia do Homem


Homessa!! De todas as formas e feitios, grandes, pequenas, frescas ou fora de prazo...

Homens, hoje as mulheres são vossas!




Para mim... este dia vai contra tudo o que eu acredito que seja uma mulher

março 04, 2008

Amor de quatro paredes

És tão linda na minha caixa. Desenhei-a para ti. Sólida. À média luz. Confortável. Com todo o meu a... mor.

Amo-te em toda a largura, comprimento e altura do meu coração, ainda que ao longo de todos os dias passados nunca o tenha dito.

Não tenho espaço para te amar fora dele. Só no seu interior te sinto... Rio, grito, rememoro a tua voz, beijo-te com imensa ternura e sei que tudo é pouco para te amar.

Sei que as palavras o vento as levou, por isso nunca fui capaz de admiti-lo e dizê-lo, mas tu sabes... Só gosto de ti no meu mundo, no meu quarto, nas minhas quatro paredes, no meu âmago. Não quero ser capaz de (te) amar (n)o teu mundo, entre os teus, lá fora, ao sol que queima. Não sei o que é viver fora de mim. Se te dizes “minha”, assim permanece. Quero-te única e exclusivamente e não mulher vulgar quando estás fora da minha caixa, longe de mim...

Funde as tuas pernas no meu caminho, tenta em vão levar-me contigo ainda que saibas que não posso, que não quero. Gosto de ti cansada, sempre te posso deitar comigo quieta e sem manifestações.

Não queiras sair deste a...mor... não há fim anunciado para esta condição. Sempre ficaste presa a quem se une à tua solidão.


Estás a negar-me!!!!

apropósito da sua última crítica na única

é só para avisar que no dia em que este imbecil aparecer morto o mais provável é que o culpado seja eu!

março 03, 2008

Vou ser tia

De um menino.

A meu ver, este é um grau de parentesco extraordinariamente complexo: Qual é o papel de uma tia?

Ora, se eu fosse tio era mais fácil... seria o gajo das piadas, o exemplo a seguir porque o pai é quadrado e mentecapto. Seria o responsável pela entrada do puto nos meandros das meninas da noite, quem sabe até influenciaria as suas preferências políticas (ah é verdade, os jovens de hoje não se interessam por isso ou são de esquerda porque... é fixe e não condenam o aborto que a namorada vai fazer). Secalhar até faria o seu primeiro pipe (tinha era que aprender primeiro).

Ensinava-o a ser um Homem ás direitas, um verdadeiro português como tudo o que esse conceito antropológico inclui.

Mas eu não sou Homem, é-O ele (o puto) que segundo o obstetra já tem grande material (é suposto comentar esta expressão científico-obsoleta?).

Quanto às tias, na minha visão elas são chatas. Querem ser as segundas educadoras a par com as avós, verdadeiros antros de sapiência puericultural. São uma espécie de segunda voz do coro: Veste o casaco – diz a mãe. A tia repete logo de seguida mais baixinho: Veste o casaquinho.

A minha preocupação para já é que o meu menino entre neste mundo a berrar que nem um louco, que goste de mim (sentimento de pertença), que jogue ao berlinde e ao pião, que goste de ler, de fazer partidas e que tenha o cabelo do meu irmão.

Porém, o que me torna mais feliz nisto tudo é que com este bebé nem tão cedo vou ter filhos, signifique isto o que quer que seja.

março 02, 2008

índigo

- Não raras vezes isolo-me do mundo. Sinto uma imensa vontade de estar sozinho. E não sei porquê. Fico excessivamente pensativo quando estou só. [...] Há uma total ausência de som. Silêncio. Absoluto. Tudo se transfigura. Mais que cego, surdo e completamente alheado da realidade. Mais que tudo isso... Entro num estado de transe. Vou para o meu mundo índigo. Aquele que não se vê, e que nunca ninguém alcança. O qual não deixo que se aproximem. Aí mais do que estar eu sou intocável, invencível.

Quando a Amy não era APENAS...



uma GRANDE voz... aaah grossa!

(amy winehouse mode)

Amy Winehouse - In My Bed

em repeat


"You can leave me
On the corner
Where you found me
I'm not for sale anymore "

Not For Sale by Cocorosie